Kátia Costa

Kátia Costa

KÁTIA COSTA (Porto Alegre – RS, 1969). Fotógrafa Profissional, Artista Plástica, Professora de Artes Visuais e Produtora Cultural. É Bacharel em Artes Visuais, com ênfase em Fotografia, e Bacharelanda em Licenciatura – Artes Visuais, pelo Instituto de Arte do UFRGS. Reside em Porto Alegre e concentra sua produção no Atelier de Arte Plano B: www.atelierplanob.com.br, onde também desenvolve seus projetos, ministra cursos – dentre eles de Portfólio e Currículo e Orientação de Projetos, mantém o estúdio de produção em fotografia, presta assessoria a artistas na produção e montagem de eventos, na produção de projetos e portfólios e orientação profissional. Dentre suas atividades autorais, já produziu e realizou várias exposições individuais e coletivas, dentre elas exposições e projetos que agregam a participação de muitos artistas, como o “Projeto Empilháveis”, “Projeto 1ª Pessoa: Pessoas”, “Projeto INFoto” e a “Convocatória de Arte do Atelier Plano B”. Participou de Concursos de Fotografias e de Salões de Artes Visuais, onde recebeu vários prêmios, dentre eles, em 2008, onde venceu o “18º Salão de Artes Plásticas Câmara Municipal de Porto Alegre”. Já foi indicada em 2008, com a exposição “SobreImagem”, ao Prêmio Açorianos de Arte Visuais melhor Fotografia. Possui trabalhos em vários acervos e publicados, como no “Livro de Pedra”, de Ena Lautert (2010) e no Catálogo de Artistas da Associação Francisco Lisboa (2010), dentre outros. É integrante da diretoria da Associação Francisco Lisboa de Artistas Plásticos do Rio Grande do Sul e contribui na área cultural do CDE – Centro Desenvolvimento da Expressão RS.

PRINCIPAIS EXPOSIÇÔES INDIVIDUAIS. Em 2011/2012: “Lugares de Passagem”, Projeto Artemosfera – RBS, no Viaduto Jayme Caetano Braun, Porto Alegre – RS. “Objeto dos Desejos”, Projeto Arte e Memória: Intervenções em Prédios Públicos no Memorial do Rio Grande do Sul, Porto Alegre – RS. Em 2009: [MOVE_VERSÃO_2.0_PED], na Galeria Lunara – Usina do Gasômetro, Porto Alegre – RS; “O Cofre das Imagens – A Passagem Lado Dentro Fora”, no Espaço de Arte, UNIVATES – RS; “Caixa de Música”, na Pinacoteca da FEEVALE, Novo Hamburgo – RS; “O Cofre das Imagens – A Passagem Lado Dentro Fora” – Instalação e Fotografias, na Câmara Municipal de Porto Alegre, Porto Alegre – RS. Em 2008, Exposição “A Mala do Mágico”, Eco Museu – Casa do Leite, Cachoeirinha – RS; Exposição “A Mala do Mágico”, Espaço Um da FEEVALE, Novo Hamburgo – RS; Exposição MOVE, Sesc Centro, Porto Alegre – RS; “A Mala do Mágico”, Fundação Cultural de Itajaí, Itajaí – SC; “A Mala do Mágico”, UNIVATES, Lajeado – RS e, em 2006, “O Cofre das Imagens – A Passagem Lado Dentro Fora”, Goethe-Institut, Porto Alegre – RS.

PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES COLETIVAS. Em 2012: “Idades Contemporâneas”, no MAC RS, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre – RS; “Imagem da Palavra”, no SUBIT, Montevideo – UY; “II Salão de Arte Ambiental”, no Fundaparque, Bento Gonçalves – RS; “Projeto Caixas Pretas”, na Galeria Virgílio Calegari – CCMQ, Porto Alegre – RS; “Projeto INFOTO”, Espaço Maurício Rosemblat, na Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre – RS; “V Convocatória de Arte – Giro na Arte”, no Atelier de arte Plano B e itinerâncias em Caxias do Sul e Bagé. Em 2011/2012: “Atelier Plano B na Galeria Modernidade”, na Galeria Modernidade, Novo Hamburgo – RS; “II Salão de Artes de Novo Hamburgo – Arte/Sapato”, na FENAC, Novo Hamburgo – RS; Em 2011: “1ª Pessoa: Pessoas”, na Galeria de Arte do DMAE, Porto Alegre – RS; “Empilháveis IV”, na Galeria Augusto Meyer, na Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre – RS; “IV Convocatória de Arte – Arte em Xeque”, no Atelier de Arte Plano B, Porto Alegre – RS; “II Salão de Artes Visuais Simões Lopes Neto”, no Instituto JSLN, Pelotas – RS; “Atelier Plano B na Modernidade”, na Galeria Modernidade, Novo Hamburgo – RS. Em 2010: “Empilháveis” II e III, na Gal Modernidade, Novo Hamburgo e IAB – RS, Porto Alegre, “Arte + Arte, Ensaios contemporâneos”, na Casa de Cultura Mário Quintana, Galeria Xico Stockinger, Porto Alegre – RS; 12º intercambio Internacional de Miniarte “Miniart Faces”, na Art Gallery Dante Sfoggia, instituto Brasileiro Norte-Americano, Porto Alegre; 19º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre; “Muito mais que uma imagem no papel…”, na 72 NY Gallery, Porto Alegre; Livros e Não Livros, no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, Porto Alegre. Em 2009, “Quatro por Um”, no Espaço Cultural UNESC, Criciúma – SC.“POA – SP Conexão Arte”, no Espaço Cultural Monte Bianco, São Paulo – SP; “Porto Alegre é 10”, na Associação Chico Lisboa, Porto alegre – RS. Em 2008 ”Bando de Barro Invade”, na Galeria de mArte, Porto Alegre – RS; “II Convocatória de Arte Atelier Plano B – Marcando a Arte”, no Atelier Plano B, Porto Alegre – RS; Exposição “Quatro Por Um”, Fundação ECARTA, Porto Alegre – RS; “18º Salão de Artes Plásticas Câmara Municipal de Porto Alegre”, Porto Alegre – RS; “IX Bienal do Recôncavo”, Centro Cultural Dannemann, São Feliz – Bahia; “7º Salão Nacional de Arte de Jataí”, Jataí – Go; Exposição “Travessa Venezianos: Construções do Tempo”, Associação Francisco Lisboa, Porto Alegre – RS; Exposição Internacional Exchange, Galeria Xico Stockinger, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre – RS; Exposição “Trajetórias – 7 olhares”, Galeria de Arte do DMAE, Porto Alegre – RS; Mostra “SESI – Descobrindo Talentos de Artes Visuais 2008“, Casa de Cultura Mário Quintana – Galeria Augusto Meyer, Porto Alegre – RS; Exposição “1ª Convocatória de Arte Atelier Plano B – O Que Você Considera Arte?”, Espaço Um FEEVALE, Novo Hamburgo – RS. Em 2008 – 2007: Exposição “Sobre Imagem”, Fundação ECARTA, Porto Alegre – RS. Em 2007: Exposição “Projeto Percursos”, site www.percursos.com.br, Porto Alegre – RS; Bienal B, Exposição ”Nós de Novembro“, SESC Centro, Porto Alegre – RS; Bienal B, Exposição “Retrautos”, Galeria de Marte, Porto Alegre – RS; Bienal B, Exposição “1ª Convocatória de Arte Atelier Plano B – O Que Você Considera Arte?”, Atelier de Arte Plano B, Porto Alegre – RS; Exposição “Representação Bienal B em Milão”, Milão – Itália; Exposição fotográfica do 4ª Concurso “Arte por Toda Parte”, SESC – Centro, Porto Alegre – RS; Exposição de fotografias “VI Concurso Fotografe Guaíba 2007”, Guaíba – RS; Exposição itinerante “Salão de Arte 10 x 10” – FUNDARTE, SESC Lajeado e Fundação Casa das Artes de Bento Gonçalves – RS; Coletiva fotográfica “Fotografe a Natureza”, Sociedade Ornitológica de Minas Gerais – SOM, Belo Horizonte – MG; Exposição “1º Salão de Arte 10 x 10”, FUNDARTE – Fundação Municipal de Artes de Montenegro – RS; Bienal B, Espaço Moinhos Shopping, Porto Alegre – RS. Em 2007 – 2006: Exposição “MAC no A6 – Persistência”, MAC – Armazém A6 – Cais do Porto, Porto Alegre – RS. Em 2006: “17º Salão de Artes Plásticas Câmara Municipal de Porto Alegre”, Porto Alegre – RS. Em 2005: Mostra fotográfica “Bressonianas / os porto – alegrenses”, Café Moeda do Santander Cultural, Porto Alegre – RS; Mostra “De Perto Ninguém É Normal”, Convocatória de Arte Postal, Fotogaleria Virgílio Calegari, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre – RS; Exposição “Nós Híbridos”, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Instituto de Artes – UFRGS, Porto Alegre – RS; Coletiva fotográfica “Sobre Posições”, Centro Cultural Usina do Gasômetro, Porto Alegre – RS; Coletiva de fotos “Imagem Gravada”, Galeria de Arte do DMAE, Porto Alegre – RS. Em 2004: Mostra de fotografias, Bistrô do MARGS, Porto Alegre – RS; “18º Salão Jovem Artista”, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre – RS; “16º Salão de Artes Plásticas Câmara Municipal de Porto Alegre”, Porto Alegre – RS; Coletiva fotográfica “Mostra”, Galeria de Arte do DMAE, Porto Alegre – RS; Coletiva fotográfica “Fotografe a Natureza”, Sociedade Ornitológica de Minas Gerais – SOM, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Belo Horizonte – MG. Em 2003: Exposição itinerante de fotografias “VI Concurso Fotografe Guaíba 2002”, Guaíba – RS; Exposição de gravuras “Algumas Impressões 3”, Espaço Ado Malagoli, Porto Alegre – RS; Coletiva fotográfica “Fotografia 03”, Galeria de Arte do DMAE, Porto Alegre – RS; Coletiva fotográfica “Foto III em Foco”, Espaço Ado Malagoli – Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre – RS; Exposição “Porto Alegre em Foco”, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Instituto de Artes, UFRGS, Porto Alegre – RS e, em 2001, Exposição Fotográfica itinerante “Fotografe o Guaíba”, Galeria de Arte Daudt D’Oliveira – SESC Campestre, Porto Alegre – RS.

PREMIAÇÕES. Em 2012: Prêmio Aquisição no Salão de Artes Visuais FIEMA. Em 2008: vencedora, com o Prêmio Aquisição, “18º Salão de Artes Plásticas Câmara Municipal de Porto Alegre”, Porto Alegre – RS; Prêmio no Concurso Fotográfico “Detalhes de Porto Alegre”, Secretaria Municipal do Meio Ambiente – PMPA; Prêmio aquisição no “7º Salão Nacional de Arte de Jataí”, Jataí – Go; Exposição Coletiva “SobreImagem”, indicada ao Prêmio Açorianos de Arte Visuais 2007, da Secretaria Municipal da Cultura, Porto Alegre – RS. 2007: Prêmio Catálogo Concurso Sesc de Fotografia “Arte por Toda Parte”, SESC – Centro, Porto Alegre – RS; Prêmio “VI Concurso Fotografe Guaíba 2007”, Prefeitura Municipal de Guaíba – RS; Prêmio no Concurso Fotográfico “Porto Alegre quatro Estações”, Secretaria Municipal do Meio Ambiente – PMPA, Porto Alegre – RS; Prêmio “16º Concurso Nacional de Fotografias da Natureza”, Sociedade Ornitológica de Minas Gerais – SOM, Belo Horizonte – MG. Em 2006, Menção Honrosa no “17º Salão de Artes Plásticas Câmara Municipal de Porto Alegre”, Porto Alegre – RS; Prêmio Exposição no “VII Concurso de Artes Plásticas Contemporâneas 2006”, Goethe-Institut, Porto Alegre – RS. 2004: Vencedora Regional do “18º Salão Jovem Artista”, Porto Alegre – RS; Prêmio no Concurso Fotográfico “Imagens de Porto Alegre”, Secretaria Municipal do Meio Ambiente – PMPA, Porto Alegre – RS; Prêmio “14º Concurso Nacional de Fotografias da Natureza”, Sociedade Ornitológica de Minas Gerais – SOM, Belo Horizonte – MG; Prêmio Honra ao Mérito no “10º Concurso Banco Itaú BBA de Fotografias”, São Paulo – SP. Em 2003: Prêmio e Menções Honrosas no “VI Concurso Fotografe Guaíba 2002”, Prefeitura Municipal de Guaíba – RS e, em 2001, Menção Honrosa no concurso “Margens do Guaíba”, SESC – Campestre, Porto Alegre – RS.

OBRAS EM ACERVOS. 2008: Obra “Caixa de Música”, instalação, medindo 1,65m de diâmetro X 2,40 de altura, adquirida pela Câmara municipal de Vereadores de Porto Alegre, Porto Alegre – RS; obras Move [Melo] e Move [Sand], fotografias-objeto, com tamanhos de 1,30m X 0,10m, adquiridos pelo Museu de Arte Contemporânea de Jataí – GO, Secretaria da Cultura de Jataí. Em 2005: Obras “Fotogravura III” e “Fotogravura IV”, gravuras fotográficas, com tamanhos 25 X 20 cm, apresentadas na coletiva fotográfica “Imagem Gravada” e doadas ao Acervo do Centro Histórico – Cultural Professor Klinger Filho do Departamento Municipal de Água e Esgotos, Porto Alegre – RS. 2004: Obra “Caixa de Imagens III”, Objeto e Fotografia, apresentada no Salão do Jovem Artista 2004 e adquirida pela RBS Rio Grande do Sul e Obra “Detalhes I”, fotografia P&B, com tamanho 27 X 35 cm, apresentado na coletiva fotográfica “Mostra”, doado ao Acervo do Centro Histórico – Cultural Professor Klinger Filho do Departamento Municipal de Água e Esgotos, Porto Alegre – RS.

Telefone: (51) 8448.4895

Emailkatiacosta@atelierplanob.com.br

Site: www.katiacosta.fot.br

 

A TRAMA da IMAGEM

O vocabulário plástico de Kátia Costa é formado por trabalhos interativos voltados a construção de objetos que ocupam e transformam o espaço, pois ela os constrói dentro de outros espaços. Os verbos conjugados por esta inquieta artista são: fotografar, guardar, aparecer, desaparecer, multiplicar, lembrar, interagir, entre os vários que possuem um significado em sua trajetória.

A obra sobre a qual discorro neste texto: um móvel de proporções avantajadas que remete a uma caixa de musica é revestido do lado de fora por madeira e pelo lado de dentro, por espelhos. A obra realiza-se plenamente na ação do outro: de um sujeito convidado a entrar e interagir com o espaço. Kátia constrói espaços, mais do que isso, ela constrói sonhos, a partir do momento em que o sujeito se sentir envolvido pela obra.

Dentro da caixa de música o sujeito é surpreendido pela multiplicidade de percepções de si mesmo, as tramas da fantasia o levam a viajar pelo tempo refletido em uma série de imagens, onde cada uma delas parece estar em um tempo distinto. A memória transcende do simples pensamento a ação concreta de deixar-se levar pela música, pelas luzes, pela imagem da bailarina, o convite está feito: dance quem não quiser perder este momento de magia.

A experiência de vivenciar um tempo decorrido nos permite um antes e um depois. Um tempo dentro de outro tempo. Feita esta passagem, esta travessia, nunca mais seremos os mesmos, pois nossa memória efêmera até então, vai propiciar a sensação de um encontro com nós mesmos, um retorno ao passado para reavivar lembranças guardadas no inconsciente. O olhar vai perder-se através do rebatimento dos espelhos e o feitiço do tempo, cheio de vazios e de espaços para viver, vai nos tocar no que temos de mais frágil: a nossa vida. E esta vai achar-se e perder-se na imaginação, na vertigem, no abismo, no sonho…

A concepção estética da artista tem procedimentos voltados para uma especificidade particular da arte: a de instigar o participante, pois sem ele a obra não se faz. Kátia Costa assegura o ambiente necessário para uma verdadeira interação entre público e obra, onde a matéria tece relações com os sentimentos e deixa o tempo suspenso, nos provocando para uma reflexão sobre as fronteiras e os desdobramentos da arte contemporânea.

Ana Zavadil, Curadora de Arte.

A Obra Caixa de Música (2008), Prêmio Aquisição, instalação em madeira, espelhos, imagem fotográfica, iluminação e sonorização, 250cm x 165cm, pertence ao acervo da Câmara Municipal de Porto Alegre. Está em Exposição Permanente no 3º andar.

Contato:

Fones: (51) 3220-4392 e 3220-4100, ramal 4554

Endereço: Loureiro da Silva, 255

Horário de funcionamento (ligue para confirmar):  2ª a 5ª feira das 9h às 18h / 6ª feira das 9h às 17h.

http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=7159&p_secao=56&di=2008-09-02


Conheça o blog.

Visite a instalação, mande sua foto contando sua experiência e suas sensações e envie para a Kátia.

Publicaremos suas fotos no site da Caixa de Música.

[MOVE_VERSÃO_2.0_PED] reúne montagens de imagens em P & B, formando quebra-cabeças onde o movimento e o gesto de montar, organizar e repensar as peças, formou mosaicos com novas imagens com características próprias e informações variadas.

As imagens foram obtidas através da captura de imagens de deslocamentos, com o objetivo de formar “linhas de composições geométricas”, narrativas que ilustram trajetórias fictícias, linhas e formas montadas, para formar um novo espaço.

 


LINHAS DE PERCURSO

O foco deste texto é trazer reflexões sobre a série de fotografias da artista Kátia Costa, intitulada [MOVE_VERSÃO_2.0_PED], criada pela repetição de imagens que se articulam para compor conjuntos de trabalhos da exposição. Com a intenção de elucidar questões relativas à práxis, é pertinente analisar o processo criativo por meio do qual a obra se faz e, inclusive, o conceito de repetição como o seu instaurador.

O gesto formalizador dos grupos de imagens é dirigido para provocar uma reação no imaginário de quem olha, já que as estruturas labirínticas instigam a pensar os seus significados. Cada conjunto fotográfico contém em si repetições de imagens, em que a ordem formal é escolhida dependendo do peso de suas semelhanças e diferenças.

O que Kátia pretende é organizar desenhos geométricos construídos por linhas horizontais e verticais. Essas linhas de percurso não indicam um caminho único para fruir a obra, pois o percurso linear permite deslocamentos em todos os sentidos: de cima para baixo, da esquerda para a direita em uma tentativa de reconhecer o significado das associações entre as imagens. Esse primeiro contato com as fotografias suscita um desejo de buscar novas correspondências diante do que vemos, ou seja, um novo recorte que objetiva o todo. Entre as linhas de fotos justapostas, surgem pequenos intervalos, espaços vazios, que condicionam a uma parada estratégica, visto que o olhar fica suspenso para depois partir em nova investida de fruição. As linhas surgem do arranjo dos elementos e tecem um fino jogo, em que os sentidos captam e subvertem as imagens em infinitas possibilidades para o olhar.

O processo artístico revela-se, ao mesmo tempo, criação e descoberta. Na obra em desenvolvimento, surge o acaso e muitas vias para a sua execução, todas parecendo instigantes e sedutoras. O trabalho começa a se construir fisicamente depois que a captura das imagens é feita e processada. Essas fotografias são narrativas de trajetórias fictícias originadas do movimento de alguém caminhando em determinado lugar. O quebra-cabeça sugerido por Kátia está revestido de senso lúdico, no sentido de jogo formal, e, também, de prazer pelo jogo, apontado quando ela monta e remonta, distribuindo as peças para gerar um novo espaço. A cada nova série, as imagens incorporam características próprias e portam novas informações.

A estrutura da obra, geometrizada e ordenada, transforma-se em uma unidade na qual a diversidade e a semelhança criam tensões em seu interior. A natureza híbrida de sua compleição faz emergir repetições significativas, isto é, cada linha elaborada nunca mais será a mesma, uma vez que ela não retorna ao mesmo lugar. Kátia procura a variação por meio da repetição em que o sentido do “eterno retorno’ aparece como uma reiteração, pois o que sucede é sempre diferente do que já foi visto. As imagens que fundamentarão a obra são as responsáveis pelo desencadeamento de novas obras, produzindo uma série a partir de diferenças, aproximando-as do conceito de repetição que interessa à arte. Deleuze nos diz que “toda repetição é transgressão” (1988, p.24), já que ela é paradoxal à individualidade do objeto único.

Kátia Costa propõe uma viagem por intermédio de um  jogo de imagens e nos mostra a versatilidade do trabalho tramado por meio da linguagem fotográfica. A imagem estática nos é dada em movimentos, percursos e metáforas, indicando uma obra sempre inacabada, em constante devir, porque, a qualquer momento, ela pode ser retomada, metamorfoseada e, por essa razão,  adquirir novos significados.

Referências: Deleuze, Gilles. Diferença e repetição. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

Notas: Ana Zavadil, Mestre em Artes Visuais: Arte e Cultura pela UFSM.

 

 

 

Uma história

Era uma vez um mágico, que fazia da sua vida a magia. Certo dia, por um feito, construiu uma mala para usar em seus espetáculos.  A caixa espelhada fazia aparecer e desaparecer a sua auxiliar, a sua filha.  Fez sucesso e fama com ela. Passaram-se 30 anos, até que se aposentou, e todas as vezes que passava diante da mala mágica olhava-a com satisfação;  idéia de um espírito meticuloso e inteligente. Ali suas recordações permaneciam fiéis e sólidas, sólidas imagens do segredo.

Hoje sua filha e ex-auxiliar guarda o segredo da “Mala do Mágico”, desse espaço interior que  não conta seu  segredo para qualquer um.  Através da obra, ela abre esse espaço, revela  pequenos segredos e  convida pessoas  a  entrarem  em uma passagem a ser aberta para dentro  dessa  história,  através dos  espelhamentos, onde os reflexos ali instalados continuarão multiplicando-se, através da  imaginação.  “A Mala do Mágico”  passa  a ser uma obra,  um  aparelho que  convida as pessoas da platéia, a realizarem a verdadeira magia, a magia invisível, aquela que fica na lembrança,  que estará  produzindo e  registrando um  novo  desvendar dos mistérios e dos segredos.  Estará  participando de  uma nova apresentação do mágico que conta o passado,  o presente  e o futuro  de coisas  inesquecíveis,  de um mundo imaginado, imaginário, através de espelhos. Porém alguns registros permanecem dessas passagens: fotografias.

A artista convidou pessoas para entrarem na “Mala do Mágico”, enquanto cada um buscava o segredo da mala e perdiam-se entre as infinitas imagens  formadas de si,  muitos registros permaneceram:  fotografias. Cada Imagem foi obtida a partir de  uma  seleção prévia  da tiragem e com a aprovação de  cada convidado; onde para cada convidado, uma única fotografia.

“A Mala do Mágico”

Objeto – Instalação

66 cm x 105 cm x 75 cm

2006

 

Algumas palavras Tudo está e estará acontecendo, no lado dentro fora do “Cofre das Imagens”. A passagem sempre estará aberta, mesmo que fechada, mesmo quando as luzes se apagarem e todos forem embora. Os reflexos ali instalados continuarão viajando, com a velocidade da luz, indo, não se sabe para aonde, mas existindo. Talvez passem somente a viver em nossa imaginação. Aparentemente vazio, sempre terá aumentado o seu tesouro, pois a existência que foi vivida, em seu interior, não desaparecerá jamais.

O “Cofre das Imagens” parece ser uma obra em si, mas é um aparelho que induz as pessoas, os sujeitos participantes, à realizarem a verdadeira obra, a obra invisível, aquela que ficou acontecendo, lá dentro ou lá fora. Cada ser que se propuser “passar” pelo cofre, estará produzindo e registrando um novo desvendar dos mistérios, dos segredos e dos tesouros. Estará celebrando um novo trabalho, da mais nova obra invisível.

O cofre, os espelhos, as gavetas O cofre, os espelhos, as gavetas, todos coisas, que são coisas, antes de possuírem algum significado ou funções. Mas, quando unidos, significantes aos seus significados, passam a possuir a carga do símbolo. Esses símbolos juntos contêm muitos outros significados, carregados das imagens do segredo, do secreto, do íntimo, “um espaço que não se abre para qualquer um” .

Abro esse espaço, deixo a passagem, a ser aberta, para o lado de dentro, para o lado de fora, para o dentro que é fora, para o fora que é dentro. O meu dentro, para o meu fora, que agora também será seu. O nosso, organizando-se em segredos não revelados – a menos que queiramos contá-los – em espaços íntimos, em algum tempo, em outro lugar; pois esse, de agora, não mais será o mesmo.

“Cofre das Imagens – A Passagem Lado Dentro Fora”

Constitui-se em um objeto com 2,20 m de altura x 1,30 m de largura x 1,10 m de profundidade, revestido com espelhos, tendo colocado na superfície interior do fundo – lado contrário à porta – uma foto ampliada em preto e branco, com tamanho de 2m x 1m e iluminação interna.

Mesmo sendo um móvel com aproximadamente 500 kg, com aparência pesada e robusta, este objeto tem mobilidade, é montado em 06 partes, em madeira (conforme o plano de montagem).

O trabalho apresentado possibilita a interação com o espectador, quando este abre a porta de Cofre e entra nele. Momentos em que o trabalho completa-se: um Cofre que guarda as imagens daqueles que se propõem participar.

 

“Cofre das Imagens – Passagem Lado Dentro Fora”

Instalação

2,20m x 1,30m x 1,10m

500 kg

2005